Breve reflexão sobre alienação parental

amos ao que também muito me interessa:

“As Crianças começam sempre por amar os seus Pais;

Crescidas, julgam-nos;

Por vezes, perdoam-lhes.”

Oscar Wilde

Sobre alienação parental e síndrome de estocolmo,

A alienação parental verdadeiramente exitosa é resultante de ações continuadas, muitas vezes de forma silenciosa, onde a criança/adolescente se torna refém e “unificada”, e, sendo unida ao alienador, ela adquire seus hábitos e toma como verdade absoluta tudo que lhe é transmitido. Ninguém mais terá valor ou autoridade acima do alienador e, neste caso, a lavagem cerebral se faz presente, de forma agradável e facilitada, principalmente se acrescida a recursos financeiros utilizados para este fim.

A alienação parental articulada e silenciosa dificilmente é detectada, considerando que os indícios nem sempre vêm à baila.

A criança/adolescente, muitas vezes, passa a viver uma realidade forjada, onde se enxerga protegido e acima de todos, pela pessoa que aliena. Realidade construída e fio condutor para danos psíquicos, com sérias consequências na vida adulta, principalmente se o alienador faltar, seja por circunstâncias da vida ou por falecimento. Neste caso, o sentimento de abandono pode ser avassalador e o disparador do aprofundamento dos danos psíquicos.

A lavagem cerebral, quando realizada com requintes, pode tornar a pessoa alienada o refém que necessita da presença do alienador para que esteja em segurança, não importa a idade-fase. Friso que a sociedade de consumo não pode ser desconsiderada e, da mesma forma, quem passou pelo processo de lavagem cerebral sentirá a falta do alienador e viverá em busca de pessoas a imagem dele(a), ou seja, a imagem da “perfeição”.

A pessoa adulta, que foi vítima quando criança/adolescente, agora já consciente e conhecedor dos fatos, tende a continuar a cultivar a figura e imagem do alienador como exemplo, a única pessoa que ele considera capaz de amar incondicionalmente; a pessoa que o ensinou que existe uma única forma de afeto, de vida em família e em sociedade.

Por fim, a sua vida pode ser uma eterna busca pelo que foi idealizado, sendo o pai ou mãe, alienados do filho(a), induzidos a corresponder às suas expectativas, na busca de convivência na vida adulta.

Em tempo: nem tudo pode ser “configurado” como alienação parental e cada caso é um caso. Pais e mães têm o dever de cuidar dos seus filhos e filhas, também no que diz respeito a saúde mental. A pessoa que aliena nem sempre o faz de forma consciente, e há esperança, há trabalho a ser desenvolvido para mudança de atitude, inclusive com o uso de técnicas e ferramentas.

Quanto antes identificada a alienação parental, tanto melhor, posto que a criança é o centro do direito e, se há amor, há esperança.

Necessário não fomentar a produção e reprodução de alienadores; é dever de todos.

Das minhas escritas. Claudia Grabois